eu nasci para o mar de frente para a locução do abismo
para o suor febril e a lágrima povoada de fogo a odiar
a amar o puro o impuro o impressionante e o justo
entre o júbilo e a dor com asas e tatuagens de seda
num horizonte intacto num continente eu nasci
de frente para a liturgia de um espelho.
Maria Gomes

